quarta-feira, 4 de novembro de 2026
DIREITOS HUMANOS

Unicef diferencia responsabilização juvenil de julgamento como adulto no G20

Levantamento mostra que os 19 países do grupo mantêm, de forma geral, a maioridade penal aos 18 anos, embora adotem idades distintas para responsabilização em sistemas específicos.
Unicef diferencia responsabilização juvenil de julgamento como adulto no G20
Foto distribuída pela Agência Brasil Direitos Humanos

Um levantamento divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostra que nenhum dos 19 países do G20 estabelece, de forma geral, a maioridade penal abaixo dos 18 anos. A organização também informou que a mesma regra é observada nos países da América Latina analisados.

O estudo diferencia a idade em que uma pessoa pode ser julgada como adulta e cumprir pena no sistema prisional comum da idade mínima para responsabilização criminal. Nesta segunda hipótese, o adolescente pode responder judicialmente, mas em um sistema próprio para sua faixa etária.

Idades variam entre os países

No G20, Arábia Saudita e Índia adotam 7 anos como idade mínima de responsabilização. Reino Unido, Estados Unidos e Austrália têm faixas entre 10 e 12 anos. Brasil, África do Sul, Canadá, Indonésia, México e Turquia estabelecem 12 anos.

Na França, a idade mínima é de 13 anos. Alemanha, Argentina, Coreia do Sul, Itália, Japão e Rússia adotam 14 anos. Na China, o limite é de 16 anos.

Entre os países latino-americanos analisados, Brasil, Costa Rica, El Salvador, Equador, Honduras, México e Panamá fixam a idade mínima em 12 anos. Guatemala, Haiti, República Dominicana e Uruguai adotam 13 anos. Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Paraguai, Peru e Venezuela estabelecem 14 anos, enquanto Cuba tem o limite de 16 anos.

Posição defendida pelo Unicef

O representante do Unicef no Brasil, Joaquin Gonzalez-Aleman, afirmou que é possível responsabilizar adolescentes sem submetê-los ao mesmo tratamento destinado a adultos. Segundo ele, misturar os dois grupos no sistema prisional pode aproximar os jovens de redes criminosas e romper vínculos com a escola, a família e a comunidade.

Gonzalez-Aleman também declarou que adolescentes que cometem atos infracionais devem ser responsabilizados, mas em um sistema socioeducativo, e não em prisões para adultos. De acordo com o representante, a reincidência é menor no sistema socioeducativo do que no sistema prisional destinado à população adulta.

Exceções e debate no Congresso

Embora nenhum país do G20 adote, de forma geral, julgamento de menores de 18 anos como adultos, o levantamento registra exceções em Estados Unidos, Arábia Saudita, Índia, Canadá, Reino Unido, Japão e Coreia do Sul. O Unicef não detalhou quais são essas situações. Na América Latina, Cuba foi apontada como o único país com exceções à maioridade penal aos 18 anos.

O tema voltou a ser discutido no Congresso durante a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. O texto foi aprovado no Senado sem emendas que equiparavam adolescentes a adultos. Também foram debatidas propostas para reduzir a maioridade penal para 16 ou 14 anos, mas o relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE), recomendou que essas medidas tramitassem separadamente.

Fonte: Agência Brasil Direitos Humanos.

Foto distribuída pela Agência Brasil Direitos Humanos