O estudante brasiliense Daniel Vidal Moura, de 13 anos, aproveitou um encontro de cerca de 50 segundos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para agradecer por políticas públicas e dizer que também deseja chegar à Presidência da República. Com deficiência visual causada pela Amaurose Congênita de Leber, o garoto defende avanços em acessibilidade e mais participação dos jovens na política.
Daniel estava acompanhado do pai, o bancário Fernando Moura, do lado de fora da grade do Palácio da Alvorada. Ele decidiu faltar à aula de futebol depois de saber que eleitores de Lula fariam uma homenagem ao presidente pelo aniversário de 81 anos. Durante o encontro, usava uma camisa da seleção brasileira com o número 13.
Propostas para pessoas com deficiência
O estudante tem menos de 5% da visão nos dois olhos. A doença genética foi identificada quando ele tinha dois meses de vida. Em entrevista à Agência Brasil, Daniel afirmou que gostaria de ter tido mais tempo para falar com Lula sobre políticas públicas e sugerir a criação de um ministério exclusivo para pessoas com deficiência.
Desde janeiro de 2023, o país conta com uma Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. A estrutura é mencionada no conteúdo como parte da organização existente para tratar do tema, enquanto a proposta de Daniel é a criação de um ministério específico.
O garoto também afirma que é necessário ampliar a acessibilidade em diferentes espaços. Segundo ele, há locais com pisos irregulares, prédios sem rampas ou elevadores e dificuldades no transporte público. “Em todo lugar que eu vou, a acessibilidade é precária”, disse.
Recursos para os estudos
Para acompanhar as atividades escolares no computador, Daniel utiliza um teclado eletrônico em braille. Na avaliação dele, o governo deveria ajudar outras pessoas a terem acesso a equipamentos semelhantes.
A mãe, a servidora pública Raquel Vidal, conta que a família lê para o menino desde que ele nasceu e procura estimulá-lo a conhecer o mundo. Daniel demonstra interesse por história, geopolítica, economia e notícias sobre desigualdade. Entre os assuntos que cita estão a saída do Brasil do Mapa da Fome e a taxa de desemprego, que, segundo ele, é a menor desde 2015.
Combate ao preconceito
O capacitismo está entre os temas que despertam a atenção do estudante e de sua família. Daniel afirma que pessoas com deficiência precisam lutar para conquistar seus direitos. O pai diz que o assunto é discutido em casa com os irmãos e que ninguém deve ser excluído por não enxergar.
Fernando também conversa com os filhos sobre manifestações cotidianas de racismo. A família orienta as crianças a não reproduzirem atitudes capacitistas, racistas, homofóbicas ou qualquer outra forma de preconceito. Daniel, que é branco, demonstra interesse pelas aulas de história do Brasil e pelos temas relacionados à escravidão e às consequências desse período.
Participação dos jovens
Daniel defende que adolescentes participem mais das discussões sociais e políticas. Ele observa que o voto só é permitido a partir dos 16 anos, mas considera que os jovens podem se envolver antes disso em debates e ações de participação social.
O estudante disse ter ficado emocionado ao saber da presença de adolescentes em manifestações nas ruas durante a campanha eleitoral deste ano. Para ele, é importante conscientizar os jovens e estimular o interesse pela política.
O encontro com Lula não permitiu que Daniel apresentasse todas as propostas que havia preparado. Além da criação de um ministério voltado às pessoas com deficiência, ele queria falar sobre a necessidade de reforçar políticas públicas e enfrentar problemas do país. A mãe afirma que deseja, acima de tudo, que o filho seja feliz e tenha acesso a oportunidades.
Fonte: Agência Brasil Direitos Humanos.
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil








