quarta-feira, 4 de novembro de 2026
DIREITOS HUMANOS

Titulação de territórios quilombolas está prevista para 26 de novembro em Brasília

Cerimônia anunciada pelo governo federal deve alcançar cerca de 1.120 famílias em dez comunidades de oito estados; medida integra a programação do Novembro Negro.
Titulação de territórios quilombolas está prevista para 26 de novembro em Brasília
Foto distribuída pela Agência Brasil Direitos Humanos

O governo federal prevê entregar, em 26 de novembro, títulos de regularização fundiária a dez comunidades quilombolas de oito estados. A cerimônia será realizada em Brasília e deverá alcançar cerca de 1.120 famílias, segundo anúncio feito durante a abertura da programação do Novembro Negro 2026.

A previsão foi apresentada pela ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, em entrevista coletiva realizada na terça-feira (3). O Novembro Negro tem como lema, neste ano, “Brasil pela igualdade racial: o legado para o futuro” e reúne ações voltadas ao enfrentamento do racismo e das desigualdades sociais.

Comunidades incluídas

Entre os territórios relacionados estão Nova Batalhinha, em Bom Jesus da Lapa (BA); Boa Vista dos Negros, em Parelhas (RN); e Lagoa dos Campinhos, em Amparo do São Francisco (SE).

A lista também inclui Serra da Guia, em Poço Redondo (SE); Caraíbas, que abrange parte do território de cinco cidades sergipanas; Vaca Morta, em Diamante (PB); Invernada dos Negros, nos municípios catarinenses de Campos Novos e Abdon Batista; Casca, em Mostardas (RS); São Tomé do Aporema, em Tartarugalzinho (AP); e Alto Trombetas 2, em Oriximiná (PA).

A entrega anunciada ainda está prevista para ocorrer. Na divulgação, não foram detalhados os procedimentos da cerimônia, os responsáveis pela emissão de cada título ou um cronograma específico para a conclusão das etapas relacionadas às comunidades listadas.

Proposta para áreas públicas

De acordo com Fernanda Machiaveli, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá enviar ainda em novembro um decreto ao Congresso Nacional com o objetivo de simplificar o processo de regularização fundiária em áreas públicas.

Segundo a ministra, a mudança permitiria o reconhecimento, por meio de título coletivo, de territórios ocupados por comunidades quilombolas em áreas públicas da União. Ela também afirmou que outras comunidades tradicionais, como ciganos e povos de terreiro, poderão ser beneficiadas.

O anúncio do decreto, porém, se refere a uma medida ainda a ser encaminhada ao Congresso. A divulgação não apresenta o texto da proposta, o prazo de tramitação nem estimativas sobre o número de comunidades que poderiam ser alcançadas pela alteração.

Agenda do Novembro Negro

A programação do Novembro Negro inclui debates, encontros, lançamentos e eventos destinados a aproximar órgãos públicos, instituições parceiras e representantes da sociedade civil. O Ministério da Igualdade Racial informou que disponibilizará, em seu site, a quarta edição do Mapa do Brasil pela Igualdade Racial, com a programação completa.

Entre os eventos previstos está uma audiência pública em 19 de novembro para a elaboração do 2º Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial, o Planapir. Na mesma data, deverá ser lançado o Pacote Quilombola, que inclui a titulação de territórios.

Durante a entrevista coletiva de abertura, a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, afirmou que o combate ao racismo depende da articulação entre ministérios, órgãos federais, estados e municípios. Para ela, a promoção da igualdade racial está relacionada ao funcionamento da democracia e à garantia de direitos.

Também participaram da coletiva os ministros Alexandre Padilha, da Saúde; Édipo Araújo, da Pesca e Aquicultura; Margareth Menezes, da Cultura; e Paulo Henrique Cordeiro, dos Esportes. A ministra interina das Mulheres, Eutália Barbosa, e o presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Rodrigues, também estiveram no encontro.

Fonte: Agência Brasil Direitos Humanos.

Foto distribuída pela Agência Brasil Direitos Humanos