domingo, 1 de novembro de 2026
DIREITOS HUMANOS

Ministério da Igualdade Racial pede investigação sobre cena em ato de Flávio Bolsonaro no Rio

Ofícios foram encaminhados ao Ministério da Justiça e à Procuradoria Regional Eleitoral após vídeo mostrar um homem negro acorrentado durante manifestação na Barra da Tijuca
Ministério da Igualdade Racial pede investigação sobre cena em ato de Flávio Bolsonaro no Rio
Foto distribuída pela Agência Brasil Direitos Humanos

O Ministério da Igualdade Racial encaminhou, na manhã do dia 25, ofícios ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e à Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro para solicitar a investigação de uma cena registrada durante um ato em apoio ao candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). A manifestação ocorreu na tarde do dia 24, na Praça do Ó, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Um vídeo divulgado em redes sociais e sites de notícias mostra um homem branco conduzindo um homem negro acorrentado durante o evento. Segundo a descrição da cena, o apoiador vestia calça e jaqueta nas cores verde e branco, com aplicações da bandeira do Brasil, além de camisa e tênis azuis.

Imagem foi registrada durante ato de campanha

O homem negro aparece usando uma camisa listrada em vermelho e preto, bermuda preta e carregando um tridente. Durante a gravação, o homem branco se refere a ele como “Luladrão, Satanás e Capiroto”.

Flávio Bolsonaro estava em um trio elétrico acompanhado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL).

Em nota, o Ministério da Igualdade Racial classificou a cena como inaceitável e afirmou que a situação reproduz uma dinâmica associada ao período escravagista. A pasta também declarou que episódios desse tipo, especialmente durante o período eleitoral, remetem às marcas da escravidão na sociedade brasileira.

Pedido de providências

Os documentos enviados pelo ministério pedem que os órgãos destinatários apurem o episódio e verifiquem a possível ocorrência de crime racista. A divulgação não apresenta, contudo, resultado de investigação ou decisão das instituições que receberam os ofícios.

Antes do encaminhamento, a deputada federal eleita pelo Rio de Janeiro Anielle Franco (PT) publicou uma mensagem na rede social X informando que procuraria o Ministério da Igualdade Racial para tratar do caso. Na publicação, ela mencionou também um episódio de intolerância religiosa ocorrido em Belo Horizonte durante um ato em apoio a Flávio Bolsonaro.

Na capital mineira, uma mulher rasgou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida durante a manifestação. Anielle afirmou que buscaria informações sobre as medidas cabíveis em relação aos dois episódios.

Fonte: Agência Brasil Direitos Humanos.

Foto distribuída pela Agência Brasil Direitos Humanos