Audiência na Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados abordou a entrada de aço chinês por rotas alternativas e impactos na indústria e no emprego.
Representantes de trabalhadores e da indústria afirmaram, na terça-feira (1º), na Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados, que a importação de aço proveniente da China e por rotas alternativas ameaça a sustentabilidade das metalúrgicas brasileiras. O encontro tratou de práticas como dumping, cotas de importação e o uso de rotas por países vizinhos para entrar no mercado interno.
Medidas comerciais e rotas alternativas
O Brasil mantém medidas para combater o dumping e estabeleceu cotas de importação para proteger o setor. Em fevereiro, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) fixou taxas para produtos chineses, incluindo laminados planos a frio e aços revestidos. Apesar dessas barreiras, debatedores afirmaram que o aço chinês chega ao país por rotas alternativas, passando por países vizinhos para aproveitar o livre-comércio do bloco do Mercosul.
Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense, Odair Mariano da Silva, ‘o aço entra pelos países do Mercosul para aproveitar o livre-comércio do bloco. Não há barreira nem fiscalização para conter essa entrada’. O sindicalista lembrou que o setor registrou 5 mil demissões em 2025.
Diferença de custos e impacto nos municípios
O presidente do Sindicato das Indústrias, Jairo Rodrigues da Silva, afirmou que a concorrência afeta a competitividade nacional: ‘O Brasil exporta o minério de ferro bruto e o compra de volta industrializado, por um valor até 40% menor do que o produto nacional.’ O argumento foi usado para explicar como o custo do produto importado pode ser inferior ao produzido internamente.
Haroldo Cruz Filho, presidente da Associação dos Processadores de Aço (Aproaço), citou o impacto no município de Pinheiral (RJ), onde 90% da receita depende da fabricação de folha de flandres. De acordo com ele, devido à entrada do produto importado — inclusive pela zona franca de manaus — a arrecadação municipal caiu 30% em dois anos. ‘Países vizinhos importam o aço chinês e vendem produtos prontos para o Brasil, como latas de tinta e aerossóis. Isso destrói a nossa cadeia produtiva’, afirmou Haroldo Cruz Filho.
Panorama do setor e próximos passos
Atualmente, o Brasil possui cerca de 215 mil metalúrgicos atuando em 2,3 mil indústrias. A categoria tem média de idade de 40 anos, com 85% de homens e salário médio de R$ 3,5 mil. O representante do Ministério do Trabalho e Emprego na audiência, Alexandre Furtado Scarpelli, confirmou que, embora a indústria brasileira geral mostre reação, o setor siderúrgico continua estagnado.
Autor do requerimento para a realização da audiência pública, o deputado Max Lemos (União-RJ) ressaltou que a crise pode provocar demissões em grande escala em áreas como a construção civil, a indústria automotiva e a infraestrutura. ‘Vou apresentar requerimentos de informação à Receita Federal e a outros órgãos para aprofundar os dados. Também convidaremos ministros de Estado para retomar o debate logo após o período eleitoral’, anunciou o deputado.
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Publicado em: 02/09/2026 às 18:26

